Home / América do Sul /

Há um povoado na Amazónia que vive de economia de troca

amazónia

Há um povoado na Amazónia que vive de economia de troca

Mídia Kit Blog Mundo de Viagens

Todos os que conhecem a região do extremo oeste do Acre, no Brasil, sabem que o território não está ainda totalmente integrado com o resto do país. Os seus habitantes, por exemplo, continuam a viver longe dos grandes centros económicos do país. Atraído por esta realidade, o antropólogo Roberto Rezende mudou-se durante seis meses para a reserva extrativista de Alto Juruá, uma localidade próxima da fronteira com o Peru e a 560 quilómetros de Rio Branco, a capital de Acre.

O que aí encontrou e viveu foi muito diferente do que estava habituado. Afinal de contas, esta estava longe de ser a típica viagem de férias. Já imaginou o que seria, por exemplo, ter de pagar serviços não com uma moeda estrangeira mas com outros serviços?

Ao conviver com estas comunidades, o investigador percebeu rapidamente que sustentavam a sua subsistência na cooperação entre familiares. “São relações de troca e ajuda: no período da colheita do roçado, por exemplo, um irmão solicita o auxílio do outro, e assim se estabelece uma espécie de dívida”, explicou Rezende na defesa da sua tese de doutoramento na Unicamp.

A investigação de Roberto Rezende na Amazónia

amazonia-dois

Conforme podemos encontrar na investigação de Roberto Rezende, os moradores das comunidades dividiam o seu tempo de acordo com a suas prioridades. Quem desejava ter maior conforto material trabalha na agricultura e vende o produto no mercado da cidade. E, como em tudo, interesses políticos e vereadores integram os seus interesses nesta pequena comunidade.

Em conversa com a Galileu, Robert Rezende conta que foi pela primeira vez a esta reserva em 2006. Por essa altura, tinha um projeto de educação e capacitação com os moradores. Entretanto, dois anos mais tarde, fez mestrado sobre uma análise da transformação histórica da região.

 

O que descobriu foi muito interessante: as pessoas que viviam lá eram descendentes de imigrantes nordestinos que se casaram com mulheres indígenas e, ao longo das décadas, desenvolveram um modo de vida próprio. Todavia, quando o preço da borracha caiu e as pessoas se viram sem alternativas económicas, começaram-se a mudar para beira rio.

O sistema de trocas: como funciona?

amazonia-tres

No entanto, como é que as relações de troca nas comunidades acontecem? Apesar de já existirem alguns casos de estudo sobre as comunidades amazónicas, Roberto Rezende chegou a uma conclusão diferente, percebendo que as relações de troca não são desinteressadas.

“Um homem, por exemplo, tem um roçado e ele precisa de ajuda, de mais trabalhadores. Então, ele pede ajuda ao seu irmão e ele sabe que está em dívida quando houver outra colheita do roçado. Mas as relações estabelecidas com os políticos não são muito diferentes: se o político te dá o que prometeu, ele é bom.  Isso tem uma aplicação sobre o assistencialismo e paternalismo”, explicou em entrevista à Galileu.

A reserva extrativista de Alto Juruá dedica-se especialmente à agricultura, apesar de existirem famílias que se especializam em produção para a venda. Estas atividades são ainda complementadas com caça e pesca.  O modo de vida é baseado na multiplicidade de atividades.

 

ARTIGOS RELACIONADOS

     
 

Partilhe este artigo

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *