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Peru: um deserto onde crescem mais de 10 mil árvores

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Peru: um deserto onde crescem mais de 10 mil árvores

 

No início de 2017, o mundo viu surgir nos órgãos de comunicação social algumas notícias sobre chuvas torrenciais que tinham afetado a região norte do Peru. Entre o mês de fevereiro e março, este fenómeno natural provocou inundações que mataram pelo menos 113 pessoas e destruíram cerca de 40 mil casas.

Ainda hoje, na altura em que escrevo este artigo, os efeitos do El Niño continuam a fazer-se sentir e o país procura fazer o seu melhor para voltar à normalidade. Enquanto o governo e as famílias lidam com perdas e reparos, cientistas preparam-se para estudar ecossistemas que estão há décadas sem chuva.

No entanto, graças a este fenómeno incomum, as chuvas que inundaram o país também trouxeram alguns benefícios ao Peru: rios perenes voltaram à vida, por exemplo, e uma região desértica começou a florir.

Peru: a dádiva que uma catástrofe trouxe à natureza

Mais de 10 mil árvores entre alfarrobeiras e sapotizeiros começaram a brotar numa região desértica da zona da região peruana de Piura, que faz fronteira diretamente com o Equador, conforme divulgou o Serviço Nacional Florestal e de Fauna Silvestre (Serfor).

A crescente vegetação está perto do município de Catacaos e surgiu graças aos 20 quilos de sementes de alfarrobeiras que o Ministério de Agricultura e Rega semeou em fevereiro numa área de 250 hectares, com o objetivo de reflorestar a zona após as nada usuais chuvas que causaram as inundações.

 

Segundo consta, a região tinha sido desflorestada durante os últimos anos pela poda ilegal de alfarrobeiras e parecia desértico até as avassaladoras precipitações deste ano. Agora que a situação se começa a reverter, a nova vegetação atraiu inclusive espécies de fauna silvestre como aves e répteis.

Os membros da comunidade camponesa San Juan Bautista de Catacaos vão-se encarregar ainda de favorecer o crescimento das árvores com a limpeza do mato e a poda daqueles exemplares de médio tamanho. Segundo um comunicado da Serfor, o presidente da Associação de camponeses Benjamín de el Campo, Isaías Ipanaqué, explicou que a nova floresta dará sombra e servirá para melhorar a criação de gado.

No início do ano, a região de Piura foi a mais atingida pelo desastre natural, que nesse departamento deixou 18 mortos, 3 desaparecidos, 40 feridos, mais de 93 mil imóveis danificados e mais de 336 mil pessoas afetadas, além de provocar a destruição de mais de 14 mil casas, 46 escolas, 3 centros de saúde e 8,6 mil hectares de cultivos.

 

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