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Las Vegas, a cidade que quer ser todas as outras

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Las Vegas, a cidade que quer ser todas as outras

 

“Ninguém vive em Las Vegas. Está-se em Las Vegas. De passagem. Mesmo que isto dure uma vida inteira”. As palavras são de Dulce Maria Cardoso, escritora e cronista que, em 2013, relatou a sua visita à cidade num texto para a revista do Expresso. Inspirados pela experiência, resolvemos viajar no tempo e no espaço para lhe contar as origens da capital do jogo e para lhe falar do ambiente peculiar de uma cidade que emergiu no meio de nenhures para trazer à América todas as atrações do mundo.

Tal como Nova Iorque, Las Vegas não dorme. Os casinos estão abertos 24 horas por dia, 7 dias por semana: entre espetáculos mais ou menos ousados, a cultura é boémia e acontece dentro ou fora das salas de jogo. Nos espaços repletos de luzes néon, encontramos as mais belas figuras ao estilo de Hollywood, o álcool é abundante e o facto de não haver janelas leva-nos a crer que ali o dia não acaba.

Ajustando-se ao ritmo da cidade, as pessoas fazem as compras quando lhes é mais conveniente. Às 3 horas da manhã, os supermercados estão abertos e não será estranho encontrar gente a fazer as compras do mês. Quem marca presença assídua em todos os espaços são as famosas slots machines, máquinas que garantem que o apelido de cidade do jogo não seja  dito em vão. Seja nos supermercados, bares, restaurantes ou centros comerciais, elas estão sempre presentes, ora com o merecido destaque, ora num cantinho discreto para passar o tempo.

Entre os americanos, diz-se que apenas 10% dos habitantes do país possuem passaporte. Houve inclusive rumores de que George W. Bush só tirou o seu pouco tempo antes de se tornar presidente. Ter de conhecer os Estados Unidos antes de querer conhecer o mundo é uma ideia enraizada e tal justifica-se se tivermos em conta o tamanho e a diversidade do país. Ainda assim, Las Vegas consegue uma proeza que não encontramos em qualquer outro sítio: a de aspirar a ser várias outras cidades do mundo.

Num curto passeio pelas ruas, encontramos um réplica da Torre Eiffel, podemos andar nas gôndolas de Veneza ou ficar alojados num hotel em forma de pirâmide com vista para uma esfinge. Com esta babel de referências, cria-se um verdadeiro encontro de culturas que, por provirem de cada parte do mundo, acabam por criar uma identidade própria.

A somar a isto há as pessoas que lá passam. Tal como na maioria das grandes cidades, o centro de Las Vegas não é ocupado pelos nativos e, mesmo estes, não são assim tantos quando comparados com outros grandes centros urbanos, como Nova Iorque, Los Angeles ou Chicago. Os que escolhem lá viver ocupam-se maioritariamente dos serviços, alimentando a indústria do espetáculo, os casinos e as atividades que se desenvolveram em torno destes setores (como, por exemplo, o turismo).

A população é tendencialmente jovem: a média de idades fixa-se nos 34 anos. Os habitantes têm origens muito diferentes: quase 70% são brancos e perto de 25% são latinos. A miscigenação é constante e há quem diga que, na cidade, se fala quase tão espanhol como inglês.

Bugsy Siegel e a origem de Las Vegas como a conhecemos

Nos anos 1940, Las Vegas já existia. Os primeiros relatos sobre a região remontam ao século anterior, quando Rafael Riviera chegou ao local. A zona era de passagem e fazia parte da Old Spanish Trail, uma rota que ligava o Novo México à Califórnia. Foi por essa altura que Las Vegas foi batizada e não é necessário grandes explicações para que percebamos que o nome possui origens espanholas.

bugsy-seagle-mundo-de-viagensO começo da história da cidade como hoje a conhecemos é mais recente. No ano de 1931, o jogo é legalizado na região e, anos mais tarde, Benjamin “Bugsy” Siegel começa a olhar para esta legalização com outros olhos. Gangster famoso de origens italianas, o homem – cuja a aparência chegou a ser comparada à de Warren Beatty – tornou-se num verdadeiro especialista do jogo.

A 26 de dezembro de 1946 abre Flamingo, o primeiro grande casino de Las Vegas. Na altura, estávamos ainda no rescaldo da II Guerra Mundial e o gangster entendeu que a nova América-  agora em paz – precisava de uma espécie de recreio para adultos.

O Flamingo abriu portas em Paradise, zona agora conhecida como Strip, principal rua da cidade e local onde encontramos os principais casinos. Pouco a pouco, a cidade foi ganhando fama, mas o turismo com a grandiosidade que hoje lhe é associada só chegou em 1989. Foi este o ano de abertura do The Mirage, um grande hotel casino que se encontra na mesma região.

Nas primeiras décadas, todos os casinos estavam debaixo da alçada da máfia, organização que manteve o controlo sensivelmente até à chegada de Howard Hughes. Na década de 60, o inventor, cineasta e bilionário comprou grande parte dos empreendimentos e investiu em estações de televisão e empresas sem ligação a negócios ilícitos. Com ele, vieram outros investidores e começou o combate à máfia pelo governo federal. É também nesta altura que aumenta o fluxo quer de turistas, quer de pessoas que deixavam o local onde viviam para ingressar na base militar, criada ali perto. Com eles, vieram também os civis, responsáveis pela explosão imobiliária cada vez mais evidente.

 

“O que acontece em Vegas, fica em Vegas”

Não é preciso irmos a Las Vegas para encontramos o famoso slogan “O que acontece em Vegas, fica em Vegas” em t-shirts, canetas ou outros objetos que tais. Também já perdemos a conta às vezes que o ouvimos em filmes e músicas, mas, afinal, de onde é que vem a tão famosa frase?

Nem todos sabem, mas a expressão até nem é assim tão antiga. Estávamos em 2003, quando uma agência de turismo, a R&R Partners, propôs a si mesma um grande desafio: associar Las Vegas a outra coisa que nãos fosse o jogo. Como resultado, resolveram associar a cidade a outro conceito, nomeadamente o de liberdade: “liberdade para fazer coisas, ver coisas, comer coisas, vestir coisas, sentir coisas. E a liberdade para nos libertarmos do que quer que queiramos deixar para trás do nosso dia-a-dia”, explicam.

Assim nasceu o slogan “What Happens in Vegas, stays in Vegas” (“O que acontece em Vegas, fica em Vegas”), usado em anúncios como este:

Lago Mead: turismo lado a lado com outros negócios

O Lago Mead é a maior reserva de água dos Estados Unidos, compondo um dos maiores lagos artificiais do mundo. Localizado a cerca de 40 quilómetros do centro de Las Vegas, o lago é um ponto de passagem frequente para turistas que vão à cidade à procura de outro tipo de entretenimento que não o jogo. A viagem é feita por uma zona maioritariamente inóspita, sendo que a mancha de água fica relativamente perto do Death Valley e do Deserto de Mojave. As temperaturas ascendem facilmente aos 30 graus e chegam aos 40 num abrir e fechar de olhos.

lago-mead-las-vegasA paisagem conquista pelo aspeto desértico, mas a massa de água já não é o que outrora foi. Desde 1983 que o Lago Mead não se encontra na capacidade completa. Tal explica-se pelas sucessivas secas e pelo aumento da procura de água. Apesar de esta ser efetivamente o espaço com maior capacidade de reserva, a quantidade de água não é a mais elevada, sendo superada pela que existe atualmente no Lago Sakakawea, Dakota do Norte.

A extensão das margens do lago é grande, e entre os locais há quem diga que ali se fizeram (e se continuam a fazer) negócios ilícitos entre traficantes e outros criminosos. Por esta razão, alguns dizem que a zona não é a mais segura, salientando que, se a paisagem falasse, contaria não só histórias de cowboys, como nos surpreenderia com os crimes mais hediondos.

 

 

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