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Os anos da guerra civil de Moçambique

Os anos da guerra civil de Moçambique

 

Pouco tempo depois da independência, Moçambique mergulhou numa guerra civil que opunha o partido do Governo à Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), um movimento apoiado pela África do Sul e pela Rodésia, para além de contar com a ajuda de antigos colonos portugueses e de algumas camadas da população moçambicana. O conflito teve consequências extremamente negativas e dramáticas para o país.

Nos anos 80, a guerra civil sofreu uma escalada e o conflito tornou-se excepcionalmente brutal. Os sistemas de saúde e educativo entraram em colapso e, em muitas outras regiões, a produção agrícola desapareceu. A grande seca de meados da década provocou uma terrível fome. Quando chegou a década de 90, tinham morrido um milhão de pessoas, cerca de um milhão e meio tinham abandonado os campos e quatro milhões saíram do território.

Aliás, foi precisamente em 1990 que alguns factores de ordem externa influenciaram o curso dos acontecimentos: a política sul-africana mudou radicalmente e o bloco soviético, principal apoiante da FRELIMO, desagregou-se.

 

Guerra Civil de Moçambique: a resolução

A situação só foi ultrapassada com o acordo de paz assinado, entre a FRELIMO e a RENAMO, no dia 4 de Outubro de 1992, que estabelecia o fim da guerra civil e a desmobilização de ambas as tropas, além da alteração constitucional que previa a abertura da vida política a outras forças. O povo moçambicano voltou a estar em paz 16 anos depois.

No final de Outubro de 1994, com as forças das Nações Unidas no terreno, realizaram-se as primeiras eleições multipartidárias para a legislatura e a presidência da República, cujos resultados deram a vitória à FRELIMO e a Joaquim Chissano, líder do partido, com Afonso Dhlakama, líder da RENAMO, a reconhecer e aceitar a vitória dos seus adversários, assegurando novamente o empenho em desmobilizar as suas forças militares.

Esta estabilidade política e social veio encorajar o investimento estrangeiro no território, destacando-se a actuação da Inglaterra, não só pela redução drástica da enorme dívida que Moçambique tinha perante os britânicos mas também pelas doações de capital dos ingleses. Estas iniciativas tiveram o condão de fortalecer os laços entre os dois países, levando mesmo a que, em 1995, Moçambique entrasse para a Commonwealth, embora sem alteração, por exemplo, da língua oficial que continua a ser o português.

ESTE É O SEXTO ARTIGO DA REPORTAGEM:

MANHIÇA, TERRA DE TRAGÉDIA, TERRA DE ESPERANÇA (Parte I)

A CHEGADA DOS PORTUGUESES À ÁFRICA AUSTRAL (Parte II)

 O EPISÓDIO DO CÉLEBRE NAUFRÁGIO DE D. MANUEL DE SOUSA DE SEPÚLVEDA (Parte III)

MOÇAMBIQUE: A FORMAÇÃO DE UMA NAÇÃO AFRICANA (Parte IV)

O FATÍDICO 7 DE SETEMBRO DE 1974 EM MOÇAMBIQUE (Parte V)

CONTINUAÇÃO DA REPORTAGEM NO PRÓXIMO ARTIGO:

MOÇAMBIQUE: UM DOS PAÍSES MAIS POBRES DO MUNDO (Parte VII)

 

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