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Como Gaia levou ventos de esperança a Moçambique

Como Gaia levou ventos de esperança a Moçambique

 

Manhiça foi uma das localidades mais afectadas de Moçambique pelas cheias de 2000. Na sequência desta calamidade, a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia iniciou, em Setembro desse mesmo ano, um processo de geminação com a cidade, desenvolvendo vários projectos e visitas à cidade moçambicana, tendo em vista a  criação de melhores condições de vida para a sua população.

A autarquia gaiense aprofundou pouco depois o seu programa de cooperação com Manhiça, assinando um protocolo para promover projectos como a construção de uma escola e a expansão da rede de distribuição de água. O protocolo foi assinado por Luís Filipe Menezes e por Laura Tamele, presidente do município moçambicano, através da acção do Gabinete de Estudos e Projectos de Cooperação, uma organização não governamental que tem implementado projectos de desenvolvimento e ajuda humanitária em Moçambique e no Congo.

A organização foi também responsável pela coordenação e fiscalização dos projectos no local, incluindo uma escola de ensino básico e a recuperação do mercado municipal e do clube desportivo. Gaia apoiou também a concepção e implementação do aumento da rede eléctrica de Manhiça.

O total de verbas angariadas e disponibilizadas pelo município português para a cooperação com o concelho moçambicano ascendeu a quase 174 mil euros. Uma das técnicas da organização não governamental explicou na apresentação do projecto que existiam condições propícias para actuar naquele município, derivadas do “fortalecimento do poder local, da revitalização do motor económico que é a empresa açucareira Maragra (fundada por um gaiense), da melhoria significativa dos meios de comunicação e do alargamento da rede de infra-estruturas da sociedade de informação, com a colocação de uma satélite na zona”, factores que estimularam a aposta do Gabinete e auguram novos ventos de esperança para a população local.

O objectivo era tornar Manhiça num modelo de desenvolvimento sustentável, para que possa servir como exemplo para outras regiões vizinhas, e elevar as condições de vida de milhares de pessoas.

 

Na altura, o presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, explicou em conferência de imprensa que a geminação entre os dois municípios obedeceu a critérios de “solidariedade e à vontade de ajudar povos amigos a mudar as condições de vida das suas comunidades, no fundo, quisemos fazer um projecto de geminação diferente, baseado não apenas no intercâmbio cultural, mas essencialmente na criação de meios de desenvolvimento humano.”

O autarca não se esqueceu de referir que “perante as nossas responsabilidades históricas, tudo o que estamos a dar é muito pouco.” Pouco depois e de forma emocionada, Laura Tamele exprimiu a sua “imensa gratidão pela amizade que Gaia tem demonstrado, estamos certos de que com as duas forças unidas Manhiça ficará mais forte”, mostrando com apreço, no final da conferência de imprensa, o azulejo da Rua de Vila Nova de Gaia que seria colocado em breve na Manhiça.

Este é apenas um de muitos exemplos da ajuda de desenvolvimento bilateral que Portugal presta a Moçambique, tal como a outros países lusófonos, desde há uns anos, num esforço para desenvolver as antigas colónias e tirá-las do fundo do poço onde caíram após a descolonização.

ESTE É O DÉCIMO ARTIGO DA REPORTAGEM:

MANHIÇA, TERRA DE TRAGÉDIA, TERRA DE ESPERANÇA (Parte I)

A CHEGADA DOS PORTUGUESES À ÁFRICA AUSTRAL (Parte II)

 O EPISÓDIO DO CÉLEBRE NAUFRÁGIO DE D. MANUEL DE SOUSA DE SEPÚLVEDA (Parte III)

MOÇAMBIQUE: A FORMAÇÃO DE UMA NAÇÃO AFRICANA (Parte IV)

O FATÍDICO 7 DE SETEMBRO DE 1974 EM MOÇAMBIQUE (Parte V)

OS ANOS DA GUERRA CIVIL DE MOÇAMBIQUE (Parte VI)

MOÇAMBIQUE: UM DOS PAÍSES MAIS POBRES DO MUNDO (Parte VII)

CHEIAS DE 2000 EM MOÇAMBIQUE: A TEMPESTADE DAS TORMENTAS (Parte VIII)

O DEDO DO HOMEM NAS CHEIAS DE 2000 EM MOÇAMBIQUE (Parte IX)

CONTINUAÇÃO DA REPORTAGEM NO PRÓXIMO ARTIGO:

KANIMAMBO GAIA: O FIM DE UMA VIAGEM A MOÇAMBIQUE (Parte XI)

 

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