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Elétrico de Sintra: quase 13 quilómetros sobre carris

Elétrico de Sintra: quase 13 quilómetros sobre carris

 

Da Estefânia à Praia das Maçãs, passando por Colares e outros locais, levamo-lo neste post num percurso sem igual. Uma viagem sobre carris pelos encantos de Sintra. Ainda que tal percurso só possa ser feito nos fins-de-semana dos meses de maior calor, nomeadamente entre junho e setembro, fazemos esta sugestão para que aponte já na sua agenda.

Pela altura em que esta ferrovia eletrizada surgiu, em 1904, o objetivo era muito básico: criar uma ligação entre a vila e a Praia das Maçãs. Com os anos e o aparecimento de outros meios de transporte, entre os quais o automóvel privado e o autocarro, o elétrico caiu em desuso e passou a ser utilizado meramente como transporte turístico.

Ao longo de quase 13 quilómetros, os passageiros são levados numa viagem que poderá demorar até 45 minutos e que mostra o que de melhor há em Sintra. Preparado para entrar a bordo? Vamos começar esta viagem agora.

Elétrico de Sintra: o percurso

O verde da natureza e a frescura da serra acolhem quem chega a Sintra. O espetáculo visual das paisagens e o romantismo de espaços como o Palácio da Pena são apreciados quem por lá passa.

Se pretende conhecer Sintra nos próximos tempos, temos uma sugestão a fazer: reserve a viagem para a época alta e aproveite para fazer uma viagem de elétrico.

O elétrico, que durante anos uniu o centro histórico à Praia das Maçãs, continua hoje em marcha, depois de mais de 110 anos no ativo mas os passageiros são agora maioritariamente turistas. No total, o veículo caricato percorrer 12 quilómetros, quase 13, numa viagem sobre carris, junto à estrada, à serra e o mar.

O preço ronda os 3 euros, daí a carruagem estar frequentemente cheia. O ponto de partida é Vila Alda, na Estefânia, a casa do elétrico. Encontra-se mesmo ao lado do antigo Casino, que recentemente abriu portas para abrigar o MU.SA – Museu das Artes de Sintra, onde é possível encontrar trabalhos assinados por Columbano Bordalo Pinheiro, Alfredo Keil e Dórita Castel-Branco. Uma visita ao museu enquanto espera pelo elétrico não será certamente um desperdício.

 

Entrando no elétrico, os passageiros são levados na direção de Montes Santos. Aí, uns metros mais abaixo, uma placa escondida indica a existência de um miradouro que oferece um bom panorama do Monte da Lua.

A rota prossegue até ao Centro de Ciência Viva, na Ribeira – uma alternativa para quem não tem onde deixar os filhos nas férias ou nos dias mais cinzentos. Este espaço parece saído do País das Maravilhas: é possível encontrar uma bicicleta voadora, que desliza numa só linha e nunca cai (pela recolocação do centro de gravidade), um planetário móvel, simulações de painéis solares e sistemas de comportas e exposições coloridas. O local ideal para visitar com os seus filhos!

À medida que o elétrico avança descobrem-se várias perspetivas de Sintra. O veículo circula perto da estrada: quase nos sentimos tentados a esticar o braço para tocar nas folhas verdes. Sem avisar, o elétrico de Sintra muda então de rota, deixando para trás o asfalto e proporcionando aos passageiros uma vista privilegiada sobre quintais e jardins pitorescos. A Sintra mais quotidiana ao alcance do seu olhar.

A carruagem cruza casarios dos anos 30 e 40, pequenos centros e outros edifícios que, por vezes, parecem parados no tempo. Passa Galamares, Colares e, quando chega ao Banzão e se avista a Adega Regional de Colares, sabemos que o amor está próximo e que o fim desta viagem de 45 minutos está à vista.

A viagem termina na Praia das Maçãs. O elétrico pára mesmo em frente ao mar e antes do Búzio, um restaurante de marisco que mantém a sua fama desde 1964. A praia, em frente, não tem maçãs como o nome sugere mas sim rochas, tantas tochas que a vida balnear nos últimos anos tem sofrido com esta condição.

Se quer descobrir Sintra e ser conduzido ao longo da sua beleza, não há opção melhor do que entrar a bordo deste veículo do início do século XX e acomodar-se num assento.

 

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