Home / Ásia /

Irão: um destino hospitaleiro e menos comum

Irão: um destino hospitaleiro e menos comum

 

Quando olhamos para as montras das agências de viagens é raro encontramos viagens para o Irão. O país nem sempre surge nas notícias pelas melhores razões: insegurança e fanatismo religioso acabam por colocar entraves aos viajantes que até ponderam visitar o país do Médio Oriente. Neste artigo, olhamos para o destino com olhos de turista e deixamos-lhe alguns pontos que pode e deve conhecer quando finalmente decidir visitar o Irão.

Com uma identidade forte e repleta de história, o Irão é um país intrinsecamente acolhedor. A famosa hospitalidade persa sobreviveu à passagem do tempo e, apesar do preconceito generalizado (normalmente associado ao terrorismo e ao mundo muçulmano), os estrangeiros continuam a ser recebidos de braços abertos.

Antes de marcar viagem, é necessário ter, no entanto, vários cuidados, nomeadamente no que diz respeito às questões legais. O melhor a fazer é informar-se sobre as regras relativas aos vistos turísticos e ter em atenção as regras vigentes, já que é comum assistirmos a mudanças frequentes na legislação do país e nas suas relações externas.

Questões legais à parte, tenha também atenção às vacinas (é recomendável que as tome contra a cólera, hepatite, febre tifóide, meningite e tétano) e, uma vez no país, não é aconselhável que beba água corrente. O melhor é optar pela água engarrafada, sumos ou chás.

As temperaturas variam muito consoante o local: ao mesmo tempo que em Tabriz estão 5 graus negativos, em Bandar Abbas as temperaturas podem ascender aos 35 graus. A melhor altura para visitar o Irão é normalmente na primavera ou no outono, quando o clima é mais ameno. Se, por sua vez, pretende visitar a costa do Golfo Pérsico, a melhor altura talvez seja o inverno com temperaturas de 20 graus e neve no cume nas montanhas.

10 cidades para visitar se passar pelo Irão

1 – Teerão

A capital do Irão é uma metrópole com mais de 8 milhões de habitantes. É também aqui que encontramos o principal aeroporto do país, motivo pelo qual este será provavelmente o ponto de partida de qualquer viagem pelo Irão. A principal atração está na atmosfera vivida: Teerão é uma cidade dinâmica onde há movimento em cada esquina. É fácil encontrar bazares e bancas de venda de tudo o que é possível e imaginário. Ninguém aceita cartões de crédito, pelo que o melhor a fazer é tratar das questões relativas ao câmbio de moeda com antecedência.

Entre os monumentos da cidade destaca-se o Palácio de Golestan, um edifício que conquista pela sumptuosidade da arquitetura e dos seus jardins. Passe também pela Torre de Azadi ou Torre da Liberdade, um símbolo do Império Persa construído no ano de 1971. Este é um dos centros da cidade, mas não se vá embora sem percorrer os corredores labirínticos, recheados de aromas do Grande Bazar. Mesmo que vá só para ver, é impossível sair sem comprar qualquer coisa. Quinquilharias, especiarias e os famosos tapetes persas são alguns dos produtos que aqui vai encontrar.

2 – Isfahan

Isfahan é a terceira maior cidade do Irão, conquistando quem por lá passa com os espaços amplos, praças, mesquitas e jardins. O principal ponto turístico é a Praça de Naghsh-e Jahan, uma das maiores do mundo. Considerado pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade, o local é também chamado de Iman Square. É lá que encontramos duas grandes mesquitas: a primeira foi pensada para o rei e outra feita para o povo. No centro há um jardim com estilo persa, que serve como ponto de encontro entre os iranianos.

No fim de semana e ao fim da tarde, é comum encontramos toalhas estendidas sobre a relva e pessoas que fazem picnics. Além das mesquitas de tons coloridos, podemos também visitar o Palácio de Ali Qapu, situado nessa mesma praça ou seguir viagem para as Pontes de Isfahan, um local muito frequentado por jovens. Há também um bairro católico fundado por arménios, um local onde a arquitetura católica se funde com os temas religiosos que encontramos aqui ao lado.

3 – Shiraz

Shiraz é a capital da província de Fars, no sudoeste do Irão. A cidade é conhecida por ser um forte foco comercial, posição que mantém desde os tempos da antiga Pérsia. Além do dinamismo económico, Shiraz é provavelmente o maior ponto cultural do Irão, reunindo um grande número de Homens das Artes e das Letras. É também a cidade das flores e do vinho, a cidade dos jardins e das árvores de fruto.

Construída em harmonia com a natureza, Shiraz destaca-se pela beleza arquitetónica, potenciada pelo famoso pôr-do-sol. Se visitar a cidade não deixe de fazer uma visita ao Mausoléu de Hafez, ao Mausoléu de Shah Cheragh ou aos Jardins de Afif-Abab e de Naranjestan. Vá também à famosa Necropolis de Naqsh-e Rustam.

4 – Bandar-e Abbas

Bandar-e Abbas costumava ser conhecida pelos comerciantes portugueses como Cambarão ou Porto Comorão. A cidade portuguesa situada no Golfo Pérsico sempre teve uma enorme importância estratégica no comércio, atividade que permitiu que se desenvolvesse ao longo dos anos. O lado moderno vive com a tradição: olhando para o mar é fácil de encontrar os barcos típicos que fazem a travessia até à ilha de Qeshm.

Regra geral, aqui a temperatura é normalmente quente, mas também a humidade é elevada. A partir de Bandar-e Abbas pode aproveitar para visitar Ormuz, local onde encontra marcas portuguesas sob a forma de uma antiga fortaleza, o Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz.

5 – Persépolis

 

Persépolis é um dos locais mais icónicos do Irão. Situado a cerca de 70 quilómetros de Shiraz, esta cidade em ruínas tornou-se capital do antigo Império Aqueménida em 522 a.C. Foi a partir daqui que todo o Médio Oriente foi subjugado, até que Alexandre III da Macedónia tomou a cidade. Instalou-se lá durante algum tempo, mas um grande incêndio acabou por destruir a maior parte da região. Até hoje ainda não se sabe ao certo quais as origens do fogo.

O grande palácio de Persépolis foi encontrado em 1931, sendo depois desenterrado graças a arqueólogos. A importância histórica fez com que o local fosse classificado como Património da Humanidade pela UNESCO no ano de 1979. Numa visita, podemos ver o estilo arquitetónico que surpreende dada a época das construções. Também subsistem achados que nos remetem para os hábitos quotidianos de quem ali viveu, nomeadamente peças de cerâmica e utensílios.

6 – Qom

Qom é a cidade capital de província com o mesmo nome, banhada por um rio que também se chama… Qom. O local é muito conhecido pela sua importância religiosa, sendo venerado pelos ramos xiita do Islão. A principal atração é o Mausoléu de Fatima al-Masumeh – também apelidada de mesquita sagrada de Jamkaram. É aqui que se encontra sepultada Fatema Mæ’sume, irmã do imã Ali ibn Musa Rida.

Com inúmeros peregrinos a chegar todos os dias à cidade, Qom é conhecida por uma lenda segundo a qual Muhammad al-Mahdi, um dos imãs, voltará à terra para estabelecer a paz e a união entre as pessoas. Além do turismo religioso, a cidade é o principal polo de ensino xiita do mundo.

7 – Naqsh-e Khostam

Saído diretamente do imaginário cinematográfico, o local faz lembrar aos ocidentais os filmes passados na antiga Pérsia ou mesmo no antigo Egito. Naqsh-e Khostam não é mais do que uma necrópole, localizada a poucos metros de Naqsh-e Rajab e a 12 quilómetros da já referida Persépolis. Os túmulos gigantes esculpidos na pedra remontam ao ano 1000 a. C. e dizem os especialistas que são de origem Elamita.

Atualmente o local é venerado pela riqueza arqueológica que ali encontramos. Depois dos elamitas, a necrópole foi ocupada por reis aqueménidas que ali tiveram a sua última morada. Durante as escavações foram encontrados antigos objetos de cerâmica quer do quotidiano da altura quer aqueles que eram usados para executar os rituais fúnebres.

8 – Bam

A cidade iraniana de Bam surgiu em torno de uma antiga cidadela com o mesmo nome. Julga-se que o núcleo histórico tem por volta de 2 mil anos, tendo integrado o Império Persa. No século XVIII, uma invasão afegã fez com que os muros da cidade fossem abandonados, mas pouco a pouco começou a surgir uma nova Bam em torno da antiga. Desde os primórdios que a região é conhecida pelo dinamismo económico, possível graças às rotas (principalmente as de citrinos) que continuam a passar por ali.

O turismo é outro fator importante, no entanto, em 2003, um terramoto de magnitude 6.6 na escala de Ritcher fez com que uma parte significativa da antiga cidadela ruísse. O mesmo sismo matou mais de 25 mil pessoas e fez com que os Estados Unidos e o Irão pusessem de lado divergências para prestar apoio humanitário. Depois da tragédia, foram colocados em marcha projetos para ajudar os sobreviventes e para reconstruir tanto a antiga como a nova cidade de Bam.

9 – Kharanaq

Kharanaq é uma cidade deserta, erigida em tijolos de lama. Localizada num enorme vale com cerca de 70 quilómetros, localiza-se a norte da cidade de Yazd, na província com o mesmo nome. Estudiosos creem que os edifícios encontrados têm já mais de 1000 anos. Um dos principais atrativos é a mesquita qajar. A zona não faz parte dos principais roteiros turísticos, pelo que o melhor a fazer é procurar um guia, talvez alguém familiarizado com a rota da seda.

Muitos dos edifícios encontram-se em estado de ruína, pelo que o melhor mesmo é ter cuidado e não vaguear livremente. Mesmo ao longe, é possível ver um antigo aqueduto, uma paisagem para capturar com a máquina fotográfica.

10 – Mashhad

Mashhad é a segunda cidade mais populosa do Irão. Ao longo dos anos desempenhou (e continua a desempenhar) um papel importante na Rota da Seda, mas é mais conhecida pelo lado religioso. É aqui que encontramos o túmulo do Imã Reza, monumento responsável por milhares de peregrinações. Mashhad é também a cidade do poeta Ferdowsi, escritor da épica Shahnameh, e do cantor Mohammad-Reza Shajarian.

Além do templo principal em homenagem ao Imã Reza, podemos encontrar na cidade várias mesquitas, como as Mesquita dos 72 Mártires ou a Mesquita de Nadir Shah. No horizonte sobressaem os edifícios abobados, inseridos numa planta de linhas retas e repleta de prédios e espaços verdes. Aqui também encontramos várias escolas de teologia.

 

Partilhe este artigo

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *