Vancouver e Toronto 2026: O Canadá na Rota do Mundial

O Mundial 2026 não é só uma história de Estados Unidos e México. Pela primeira vez, o Canadá recebe jogos de um Campeonato do Mundo masculino.

E fá-lo com duas das suas cidades mais cosmopolitas: Vancouver, no Pacífico, e Toronto, junto aos Grandes Lagos.

São cartões de visita perfeitos de um país enorme, jovem e multicultural.

Em 2026, a bola vai dar-lhes uma montra mundial — e há muito para descobrir além dos estádios.

O Canadá entra em campo

Em Vancouver, os jogos disputam-se no BC Place, no coração da cidade; em Toronto, no renovado BMO Field, à beira do lago Ontário.

É um momento histórico para um país onde o hóquei no gelo sempre reinou e o futebol cresce a olhos vistos.

A festa promete espalhar-se pelas ruas, e acompanhamos tudo no Mundo de Futebol.

Para o país, é também uma oportunidade de mostrar ao mundo que sabe receber grandes eventos — depois de já ter brilhado nos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver, em 2010.

Vancouver, entre o oceano e as montanhas

Vancouver é regularmente apontada como uma das cidades com melhor qualidade de vida do mundo.

O motivo é fácil de ver: tem praias, floresta e arranha-céus de vidro, com montanhas nevadas como pano de fundo.

No mesmo dia, é possível esquiar de manhã e velejar à tarde.

A norte, a ponte suspensa de Capilano e o teleférico de Grouse Mountain levam a floresta tropical temperada a poucos minutos do centro.

O seawall do Stanley Park, em Vancouver. Foto: GoToVan, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

O Stanley Park, maior do que o Central Park de Nova Iorque, é o seu pulmão verde, rodeado por um passeio marítimo de quase nove quilómetros.

No parque guardam-se também totens das Primeiras Nações, lembrança de que estas terras têm milénios de história indígena.

A vibrante Granville Island, com o seu mercado e ateliers, e o bairro histórico de Gastown completam o retrato da cidade.

Toronto, a cidade-mundo

Se Vancouver é natureza, Toronto é diversidade.

É a maior cidade do Canadá e uma das mais multiculturais do planeta: mais de metade dos seus habitantes nasceu fora do país.

A icónica CN Tower, durante décadas a estrutura mais alta do mundo, domina uma skyline em permanente crescimento.

Toronto e a CN Tower à noite. Foto: Wladyslaw Sojka, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Bairros como Kensington Market, Chinatown e Little Italy fazem a volta ao mundo em poucas paragens de elétrico.

Vale a pena subir à CN Tower ao fim do dia e, para os mais corajosos, experimentar o EdgeWalk, uma caminhada no exterior da torre, sem rede à vista.

Segredos e curiosidades pouco noticiadas

Toronto é apelidada de Hollywood North: muitas séries e filmes “americanos” são, na verdade, filmados aqui, e o seu festival de cinema, o TIFF, é um dos mais importantes do mundo, como contamos no Mundo de Cinema.

No subsolo, a cidade esconde o PATH, uma rede de túneis com quilómetros de lojas que permite atravessá-la sem apanhar frio.

Vancouver, por seu lado, é um dos maiores centros de produção cinematográfica da América do Norte.

E há a vida selvagem urbana: os guaxinins de Toronto são tão hábeis a abrir caixotes que a cidade trava com eles uma guerra tecnológica.

O lado crítico: distâncias, preços e clima

O primeiro choque é a geografia: Vancouver e Toronto estão a cerca de 4000 quilómetros uma da outra, com três fusos horários de diferença.

Quem quiser ver jogos nas duas terá praticamente de fazer uma viagem transcontinental.

Ambas são cidades caras, sobretudo no alojamento, e os preços vão disparar durante o Mundial.

O verão é a melhor altura para visitar, mas o inverno canadiano é longo e rigoroso, sobretudo em Toronto.

Convém também contar com a burocracia: a maioria dos viajantes precisa de uma autorização eletrónica eTA para entrar no Canadá, mesmo sem visto.

Natureza à porta da cidade

Uma das grandes vantagens do Canadá é ter paisagens grandiosas a poucas horas das cidades.

De Vancouver, a estrada Sea-to-Sky leva à estância de Whistler e às portas das Montanhas Rochosas, Património Mundial da UNESCO.

De Toronto, as Cataratas do Niágara ficam a pouco mais de uma hora, num dos espetáculos naturais mais famosos do mundo.

Multiculturalismo e gastronomia

Comer nestas cidades é viajar pelo mundo.

Toronto orgulha-se de uma cena gastronómica que reflete cada comunidade, enquanto Vancouver brilha pela cozinha asiática, das melhores fora da Ásia.

E há que provar os clássicos canadianos, da poutine ao xarope de ácer em tudo o que se possa imaginar.

Em ambas as cidades, os mercados públicos são o melhor sítio para sentir o pulso multicultural à mesa, a preços mais simpáticos do que nos restaurantes.

Vale a pena alargar a viagem

Quem tiver tempo não deve ficar pelas cidades.

A partir de Toronto, a região vinícola do Niágara e a vibrante Montreal francófona estão ao alcance de poucas horas.

A partir de Vancouver, o ferry até à Ilha de Vancouver e à charmosa Victoria revela a costa do Pacífico no seu melhor.

Como chegar e quando ir

Os aeroportos de Vancouver (YVR) e Toronto (YYZ) são grandes plataformas internacionais, com ligações diretas à Europa.

Para o Mundial, a janela é o verão de 2026, entre junho e julho, a melhor altura climática do ano.

Para planear, o portal de turismo oficial do Canadá reúne ideias para as duas cidades e arredores.

Para quem quiser viver o ambiente sem bilhete para o estádio, ambas as cidades deverão montar zonas de adeptos com ecrãs gigantes, uma forma gratuita e contagiante de sentir a festa do Mundial.

Vale ainda lembrar que o Canadá é um dos países mais seguros e organizados do mundo para viajar, com transportes fiáveis e uma simpatia quase proverbial para com quem o visita pela primeira vez.

Leia também: o Mundial 2026 também passa pela Cidade do México e por Nova Iorque.

Modernas, verdes e abertas ao mundo, Vancouver e Toronto vão mostrar em 2026 que o Canadá é muito mais do que neve — é um dos países mais acolhedores para viajar.

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