Há uns anos, dizer que se ia de férias para a Albânia arrancava olhares de espanto. Hoje, arranca inveja.
O pequeno país dos Balcãs tornou-se o destino europeu do momento, com praias de sonho, cidades milenares e preços que já quase não existem no resto do Mediterrâneo.
Em 2026, continua a figurar no topo de todas as listas de tendências de viagem.
E, ao contrário de outros “destinos da moda”, ainda tem muito de autêntico para mostrar.
Durante quase 50 anos, a Albânia viveu fechada sobre si mesma, sob uma das ditaduras comunistas mais isolacionistas do mundo.
Abriu-se ao exterior apenas nos anos 1990, e só na última década descolou como destino turístico.
Esse atraso explica os preços baixos e a sensação de se estar a descobrir algo antes dos outros.
O reverso é um país a crescer depressa de mais, com tudo o que isso traz de oportunidades e de riscos.
O grande íman é a Riviera Albanesa, a faixa de costa virada ao mar Jónico.
Aldeias como Ksamil, Dhërmi e Himarë têm águas tão turquesa que rivalizam com as gregas ali ao lado.
A diferença está no preço: comer e dormir na Albânia custa uma fração do que se paga em Itália ou na Croácia.
Não admira que a costa se tenha enchido de visitantes em poucos verões.
A cidade de Saranda serve de base à região, e a estrada panorâmica do Passo de Llogara, que desce das montanhas direto ao mar, é uma viagem em si mesma.
Longe da praia, a Albânia guarda duas cidades classificadas como Património Mundial da UNESCO.
Berat é conhecida como a “cidade das mil janelas”, pelas suas casas otomanas brancas empilhadas na encosta.
Gjirokastër, a “cidade de pedra”, é um labirinto de ruas de calçada e telhados de lousa, terra natal do escritor Ismail Kadare, o mais célebre autor albanês.
Não muito longe fica Butrint, a antiga cidade greco-romana à beira de uma lagoa, outro dos tesouros classificados do país.
O ditador Enver Hoxha, obcecado com uma invasão que nunca chegou, mandou construir mais de 170 mil bunkers espalhados pelo país.
Muitos continuam de pé e alguns foram transformados em museus, cafés e até alojamentos.
Curiosidade que confunde os visitantes: na Albânia, abanar a cabeça costuma significar “sim” e acenar significa “não”.
O país é ainda berço de estrelas pop de ascendência albanesa, como Dua Lipa e Rita Ora, que acompanhamos no Mundo de Músicas.
E há a notável convivência entre muçulmanos, católicos e ortodoxos, motivo de orgulho nacional.
O herói nacional é Skanderbeg, que resistiu aos otomanos no século XV e deu ao país o símbolo da águia bicéfala da bandeira.
E poucos sabem que Madre Teresa de Calcutá era de família albanesa — o aeroporto de Tirana tem o seu nome.
A capital, Tirana, é o melhor retrato da Albânia que se reinventa.
Antigos blocos cinzentos da era comunista foram pintados de cores garridas por ordem de um presidente da câmara que era também artista.
Museus como o Bunk’Art, instalados em abrigos secretos, contam sem rodeios o passado sombrio do regime.
À noite, o bairro de Blloku — outrora reservado à elite comunista — é hoje o coração da vida boémia da cidade.
E o teleférico do Dajti sobe à montanha que vigia Tirana, com vistas sobre toda a planície.
Sejamos honestos: o crescimento rápido tem custos.
Algumas estradas de montanha ainda são lentas e sinuosas, e a sinalização nem sempre ajuda.
Na costa, a construção desenfreada ameaça a beleza que atraiu toda a gente, e Ksamil chegou a ver demolições de edifícios ilegais à beira-mar.
Em pleno agosto, as praias mais famosas ficam tão cheias como as dos vizinhos — convém gerir expectativas.
Mesmo assim, basta afastar-se um pouco dos pontos mais badalados para reencontrar calas semidesertas e a hospitalidade genuína das aldeias.
Quem procura montanha encontra-a no norte, nas chamadas Montanhas Amaldiçoadas.
A caminhada entre os vales de Theth e Valbona é uma das mais espetaculares dos Balcãs, com aldeias de pedra onde o tempo parou.
No sul, o Olho Azul, uma nascente de um azul impossível, e a travessia de barco pelo Lago Koman completam o cardápio natural.
A cozinha albanesa é um delicioso cruzamento entre o mundo otomano e o Mediterrâneo.
Provam-se os byrek (folhados salgados), a tavë kosi (borrego com iogurte assado) e peixe fresco acabado de pescar na costa.
Tudo regado a raki, a aguardente local, e fechado com um café que se bebe com a calma de quem tem o dia todo.
A porta de entrada é o aeroporto de Tirana, com ligações low-cost a várias cidades europeias.
No verão, há ainda ferries a partir de Itália e de Corfu, a poucos minutos da costa sul.
As melhores épocas são o final da primavera e setembro, quando há sol e mar sem as multidões de agosto.
Para planear, o portal de turismo oficial da Albânia e o sítio arqueológico de Butrint são bons pontos de partida.
Uma dica final: troque algum dinheiro para lek, a moeda local, porque fora das zonas mais turísticas o euro nem sempre é aceite e grande parte dos pagamentos ainda se faz em dinheiro.
Há ainda um detalhe que conquista qualquer visitante: a hospitalidade albanesa é genuína e calorosa, com convites para um café ou um copo de raki a surgirem nos sítios mais inesperados.
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Acessível, surpreendente e ainda meio por descobrir, a Albânia é a prova de que a melhor viagem de 2026 pode estar mais perto — e mais barata — do que se pensa.