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Zalerion maritimum: um fungo para combater a poluição do Mar

Zalerion maritimum: um fungo para combater a poluição do Mar

 

Todas as semanas ouvimos falar de problemas ambientais, especialmente do aquecimento global e de outros temas, como o degelo ou as cheias, que se relacionam com a atmosfera terrestre.

Mas igualmente grave é um problema que afeta de igual forma as águas de rios e lagos e que está também a cargo do Homem. Apesar da quantidade de água ser elevadíssima, a quantidade de resíduos que o homem desperdiça é capaz de causar sérios problemas ambientais, que se reflectem no ecossistema marinho.

Não tem dimensão do problema? Então talvez fique agora com uma ideia.

Um grupo de investigadores ligado ao Centro Nacional para Análise e Síntese Ecológicas da Universidade da Califórnia publicou em 2015 uma estimativa que mostra a quantidade de plástico que foi parar nos oceanos, fruto do lixo produzido e mal gerenciado por quase 200 países costeiros em todo o mundo.

Os números não são nada bonitos: cerca de 8 milhões de toneladas, só em 2010, terão ido parar ao mar. Mas o problema atinge proporções gigantescas, todos os anos, com um depósito que vai entre os 5 e 13 milhões de toneladas de plásticos a parar no oceano.

Zalerion maritimum: Um fungo milagroso contra a poluição do Mar?

Numa tentativa de combater este problema, cientistas portugueses detetaram um fungo que vive nos oceanos e que destrói plástico, uma descoberta que pode ser promissora para o combate da poluição do mar causada por sacos de plástico. A notícia foi avançada no mês de junho pela Universidade de Aveiro.

O fungo tem o nome científico de “Zalerion maritimum“, habita nas costas portuguesa (não se sabe exatamente onde) e espanhola e também ao largo da Austrália e da Malásia, sendo também responsável pela degradação da madeira.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro simulou, em laboratório, o mar poluído com plástico, o mesmo que é usado nos sacos de compras, e verificou que, nesse ambiente, a população de fungos aumentava à medida que a quantidade de plástico diminuía.

 

Em sete dias, o plástico degradou-se na ordem dos 70%, disse à imprensa a coordenadora da investigação, Teresa Rocha Santos, do Departamento de Química e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro.

O fungo, de aparência esponjosa e cor esbranquiçada, “é muito pequenino, e só vai procurar os plásticos como fonte de alimento se não tiver outras”.

“Tendo no seu ‘habitat’ natural outras fontes de alimento, [o fungo] não vai procurar os plásticos. Mas também não há nada que nos diga que ele não esteja a degradá-los, só que não é em grande quantidade”, acresentou a coordenadora da investigação.

Os resultados do trabalho de laboratório, publicados na revista da especialidade Science of The Total Environment, podem ser promissores para destruir o plástico em pequenas estações de tratamento instaladas junto à costa e a estuários, onde o fungo “Zalerion maritimum” seria cultivado a uma escala maior, mas de forma controlada, para consumir o plástico que é recolhido e deitado dentro dessas estações. Esta seria uma alternativa mais apropriada ao método usado actualmente, que passa apenas por retirar o plástico das águas com redes e colocá-lo em aterros.

Depois de ter testado durante 28 dias o comportamento do fungo perante o plástico numa incubadora, com água do mar a 22ºC (temperatura ótima de crescimento do “Zalerion maritimum“), com agitação e enriquecida com alguns, mas poucos, nutrientes à base de açúcares e hidratos de carbono, a equipa partiu para uma experiência-piloto onde está a simular uma estação de tratamento de plásticos com o fungo.

Outros estudos terão de ser aprofundados, como o da eventual toxicidade das águas decorrente da decomposição do plástico. Na experiência inicial, a equipa científica não detetou vestígios de compostos tóxicos na água. O trabalho coordenado pela Universidade de Aveiro tem a colaboração da Universidade do Porto e da Universidade Católica Portuguesa.

 

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