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Meia Praia: a história de um dos melhores areais de Lagos no Algarve

Meia Praia: a história de um dos melhores areais de Lagos no Algarve

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É uma das melhores praias algarvias e também uma das mais conhecidas. Ao todo são cerca de 4 quilómetros de areia e mar, que sob o olhar atento de um velho forte até já inspiraram uma canção. Neste post, rumamos a sul para lhe falar da Meia Praia, da sua história e dos turistas que lhe continuam a dar vida.

Banhada pelas águas quentes do Algarve, a Meia Praia é um destino muito procurado no verão. Em busca do calor e de um lugar para estender a toalha, são muitos os veraneantes que ano após ano se dirigem à região para desfrutar de umas férias em grupo ou com a família.

O crescimento do turismo de Lagos fez com que fossem surgindo infraestruturas capazes de dar saída à quantidade de gente que por lá passa. Hoje, na Meia Praia, encontramos não só as condições necessárias para quem quer ficar de papo para o ar a apanhar sol, como para os que procuram desportos náuticos e aquáticos (mergulho, surf e windsurf, por exemplo).

A Bandeira Azul assegura a qualidade da água e não podia obviamente faltar um bom parque de estacionamento, acessos para pessoas com deficiência e até um posto de saúde para emergências a funcionar durante todo o verão. Quem preferir, pode deslocar-se de transportes públicos e optar por comprar um bilhete de comboio.

 

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Qual a história por detrás da Meia Praia?

O sol e o calor são motivo suficiente para turistas que vão e voltam sem conhecerem a verdadeira história da Meia Praia. Mas, afinal, de onde vem o nome desta terra algarvia?

Ao que tudo indica a designação surgiu graças às características geográficas do local que se encontra dividido pelo Alvor: metade do areal (a Meia Praia) pertence a Lagos, a outra está mais próxima de Portimão (Praia do Alvor).

Outrora a região esteve ocupada com cabanas e habitações rústicas. A faixa junto ao areal – agora maioritariamente “cultivada” com empreendimentos turísticos – era usada para plantar vinhas, figueiras, amendoeiras, legumes e cereais. O mar encarregava-se do resto da alimentação e havia sempre fartura de peixe e marisco.

A propósito do assunto, reza a história que, algures no século XVIII, durante a Guerra Fantástica, o Conde Guilherme de Shcaumburgo-Lippe (conhecido por cá como Conde Lippe) alimentou as suas tropas com uma espécie de rancho feito com conquilhas.

A partir de então, os bivalves da zona ganharam o nome de “condelipas”, atualmente consideradas como um símbolo gastronómico do Algarve.

Forte da Meia Praia: um monumento com história

O Forte de São Roque, também designado como Forte de São José, continua a ser mais conhecido como o Forte da Meia Praia. Localizado na freguesia de São Sebastião e Santa Maria, junto ao apeadeiro da Meia Praia, o forte subsiste ao tempo, mantendo alguns traços originais ao estilo maneirista.

Ao que tudo indica, a construção remonta a meados de 1670. Por detrás do edifício esteve o Conde de Pontével, D. Luís da Cunha e Ataíde. A fortificação serviu os seus propósitos durante longos anos, ajudando na defesa da região contra pilhagens e ataques de corsários. Foi assim até 1755, data do sismo que também destruiu grande parte de Lisboa.

A iminência das invasões francesas fizeram com que a estrutura fosse reparada em 1796, mas em 1822 a fortificação acabou por ser desmilitarizada e por ficar ao abandono. Em 1987, o forte passou a estar sob a jurisdição da Alfândega de Faro que usou o local para criar um posto de fiscalização.

Com o crescimento da atividade turística na região, reconheceu-se a importância da fortificação e, no século XX, houve várias iniciativas de dar nova vida ao forte. Mais recentemente, em 2007, a Câmara de Municipal de Lagos pediu ao Ministério da Defesa que o monumento ficasse sob a sua alçada.

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O processo de requalificação previa o aproveitamento turístico do Forte da Meia Praia que a partir daí poderia ser usado como um núcleo museológico marítimo, uma colónia de férias ou um centro de atividades ambientais. Dois anos mais tarde, em 2009, o extinto Ministério da Cultura decidiu integrar o Forte da Meia Praia numa lista de monumentos que precisavam de obras de intervenção.

Recentemente, em 2014, a Câmara de Lagos voltou a pedir que Forte da Meia Praia fosse considerado como um monumento de interesse público para combater o estado de abandono e de degradação.

Em entrevista ao Público, o historiador José António Martins disse na altura que era urgente recuperar o imóvel. “É um forte que espelha toda a grande construção que foi feita no século XVII, no reinado de D. Afonso VI, e é um dos ex libris de toda a zona nova da cidade de Lagos”, sublinhou.

 

“Os Índios da Meia Praia” de Zeca Afonso

Os Índios da Meia Praia” é um tema de Zeca Afonso que fala do período após o 25 de abril de 1974, na Meia Praia. O single saiu em 1976 e é até aos dias de hoje uma das músicas mais conhecidos daquele que é para muitos o maior cantor de intervenção de sempre.

 

 

O título do tema remete para as pessoas que viviam na Meia Praia e que costumavam construir cabanas de colmo nas dunas. Daí a alcunha de Índios.

Na altura da revolução já só existia uma destas construções artesanais. Isto porque todas as outras tinham dado lugar a pequenas habitações de zinco que, mais tarde, acabariam por ser extintas graças a um projeto do governo: o famoso SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório Local).

De forma simples, esta iniciativa pretendia dar à população todos os meios e financiamento para que pudessem construir o seu próprio bairro. A partir daí, a população só se teria de juntar e trabalhar ela própria para construir as novas habitações.

O projeto que marcava o fim do bairro de lata da Meia Praia foi atribuído ao arquiteto, José Veloso, e podemos dizer que foi tudo menos fácil. De pé atrás com as promessas governamentais, a população chegou mesmo a ameaçar o arquiteco com pedras. Todavia, este não desistiu e pouco a pouco lá foi conseguindo a confiança dos afamados índios.

A partir de certa altura, a comunidade organizou-se num processo exemplar em que todos contribuíam para o projeto. Todos trabalhavam por turnos e quando os homens partiam para o mar eram as mulheres que ocupavam os seus lugares nas obras.

Para que ninguém saísse beneficiado, havia apenas duas regras: a primeira ditava que todas as habitações tinham de ser edificadas ao mesmo tempo e a segunda dizia que todos sem exceção teriam que dar o seu contributo.

A construção do bairro – que se chamaria 25 de abril – deu origem a um documentário de António da Cunha Telles e à famosa música de Zeca Afonso.

Atualmente, o bairro situa-se numa zona repleta de hotéis junto a um campo de golfe. Alguns acham que não durará muito mais.

 

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