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Regresse à Idade Média visitando estas cidades medievais portuguesas

Regresse à Idade Média visitando estas cidades medievais portuguesas

Não é por acaso que a Europa é frequentemente apelidada como “O Velho Continente”. Aqui nasceram as civilizações clássicas e desenvolveram-se os padrões civilizacionais que ainda hoje se ouvem nos ecos do tempo. À luz da história, sabemos atualmente que na zona que corresponde ao território de Portugal estiveram vários povos ao longo das eras: lusitanos, romanos e árabes.

Apesar dos avanços e recuos e das divergências políticas (e familiares), foi no ano de 1139 que o Condado Portucalense se tornou independente. Estávamos, então, na Idade Média, período histórico situado entre a Queda do Império Romano, no século V, e a Queda de Constantinopla, no ano de 1453.

O período é frequentemente associado a uma época escura, onde as crenças religiosas, e superstições travaram o desenvolvimento científico. De forma mais ou menos fiel, habituamo-nos a vê-la em filmes com reis e rainhas. Mas, e se fosse possível ver com os nossos próprios olhos como viviam as pessoas desse tempo?

Neste post, convidámo-lo a visitar Portugal de Norte a Sul à descoberta daquilo que resta da Idade Média. O melhor a fazer é calçar as sapatilhas e vestir uma roupa confortável. Depois só tem de ver o itinerário e rumar em direção a estes magníficos locais. Continue a ler conheça algumas das principais cidades medievais portuguesas.

8 Cidades Medievais portuguesas

 

Guimarães

 

De todas as cidades medievais portuguesas, Guimarães é provavelmente a mais conhecida: afinal, foi lá que nasceu Portugal. O que nem todos sabem é que o povoado que antecedeu a cidade já existia muito antes do nascimento de D. Afonso Henriques. As fundações remontam ao século X, altura em que a Condessa Mumadona Dias ordenou que fosse construído um mosteiro em Vimaranes.

Estávamos, então, numa época em que, na Península Ibérica, havia ataques sucessivos de povos muçulmanos e nórdicos. Para proteger o mosteiro e as pessoas que naturalmente se foram instalando nas imediações, a condessa prometeu asilo a todos os cavaleiros procurados que aceitassem defender Guimarães. Foi também nessa altura que mandou erigir um castelo.

Um século mais tarde, Vimaranes foi doada pelo rei Afonso VI de Leão e Castela ao Conde D. Henrique de Borgonha, que se deslocou para a região com a sua esposa, a Infanta D. Teresa de Leão. Pouco depois nascia D. Afonso Henriques. O reconhecimento como reino só chegou anos mais tarde, na sequência da afamada batalha de S. Mamede (onde o jovem rei derrotou a mãe) e da assinatura do Tratado de Zamora.

 

Óbidos

 

A localização junto ao mar e proximidade com a Lagoa de Óbidos explicam o facto de a cidade de Óbidos ter sido habitada desde o período do Paleolítico. A conquista aos mouros deu-se em janeiro de 1148, quando os muçulmanos sucumbiram a um cerco, montado em novembro do ano anterior. Na conquista, o rei de Portugal contou com o apoio de Gonçalo Mendes da Maia, um famoso estratega militar apelidado como “O Lidador”.

Conhecida pela sua beleza, a vila está muito associada às Rainhas de Portugal. D. Dinis ofereceu-a à Rainha Santa Isabel como prenda de casamento. Por lá, já tinha passado D. Urraca de Castela e viriam a passar D. Filipa de Lencastre, Leonor de Aragão e Leonor de Portugal. Até ao ano de 1834, a vila pertenceu à Casa das Rainhas.

Graças ao terramoto de 1755, algumas muralhas foram destruídas. Apesar de tudo, tanto o castelo como a cidade mantêm traços de linha árabe e medieval. Tal como o Castelo de Guimarães, também o Castelo de Óbidos é considerado uma das 7 maravilhas de Portugal.

 

Monsaraz

 

Por Monsaraz passaram povos romanos, visigodos e muçulmanos. A terra passou a fazer parte do reino português no ano de 1167, quando Geraldo Geraldes, conhecido como Geraldo Sem Pavor, expulsou os mouros pela primeira vez. A ocupação portuguesa não durou muito: dois anos depois, Monsaraz volta a ser conquistada pelos muçulmanos –  desta feita, a comando de Abu Ya’qub Yusuf.

O regresso dos portugueses à região dá-se numa nova investida, em 1232, data em que, com a ajuda dos Cavaleiros Templários, D. Sancho consegue tomar conta da região. Do grupo de conquistadores, destacou-se Gomes Martins Silvestre, o templário que se tornou símbolo da cidade e que atualmente se encontra sepultado na Igreja Matriz de Santa Maria da Lagoa. Foi precisamente a este nome que se devem as fundações de Monsaraz. Em 1276, recebeu a Carta de Foral que lhe dava direitos sobre a região.

Em torno da cidade começou a crescer uma povoação. Em 1310, D Dinis ordenou a construção do Castelo de Monsaraz, aproveitando uma antiga estrutura já existente. Com o passar dos anos, o monumento foi adaptado a novos propósitos, mas manteve grande parte do seu aspeto.

 

Marvão

 

As características geológicas de Marvão faziam do local um importante ponto estratégico em termos militares. À luz da história, sabe-se que a povoação remonta, pelo menos, à ocupação romana. No século X, já existia uma fortaleza, designada na altura como Fortaleza de Amaia ou Fortaleza de Amaia-o-Monte. O nome vem de uma cidade romana, cujas ruínas podem ser visitadas no Parque Natural da Serra de São Mamede.

A história da região está também ligada a Ibn Marwan al-Yil’liqui, o rebelde árabe apelidado de “O Galego”. Revoltando-se contra Maomé I, o independentista criou um novo estado sediado em Badajoz. O fim da ocupação moura teve início na década de 1160, com as incursões de D. Afonso Henriques pelo sul. Não se sabe, todavia, o quão definitiva foi essa ocupação, dados os sucessivos contra-ataques mouros até 1190.

O foral de Marvão remonta ao ano de 1226 e foi um dos primeiros a ser atribuído ao Alentejo. Dadas as potencialidades do local para fins militares, D. Dinis decidiu apoderar-se da região, disputando-a com o irmão. Na viragem para a II Dinastia (e com a conquista de Marvão pelas forças apoiantes ao Mestre de Avis) a fortaleza foi remodelada de acordo com as necessidades bélicas da altura.

 

Castelo de Vide

 

Castelo de Vide é, sem dúvida, uma das mais belas cidades medievais portuguesas. A história da terra perde-se no tempo, mas julga-se que as primeiras povoações se terão fixado junto a uma estrada romana. As informações são escassas, mas há alguns registos que levam a crer que Castelo de Vide foi conquistado, em 1148, por D. Afonso Henriques.

As certezas chegam em 1232, data em que se sabe que a terra já fazia parte do reino. Algum tempo depois (tal como Marvão), a região foi disputada por D. Dinis e o Infante D. Afonso Sanches, seu irmão. Em jogo estava uma senhoria. A quezília foi vencida pelo infante, que mandou construir muralhas. A decisão foi vista por D. Dinis como uma afronta. O primogénito decidiu, então, montar um cerco à cidade.

Antes que houvesse tempo para batalhas chegou ao reino uma embaixada de Aragão com a proposta de casamento com D. Isabel. Graças à embaixada, os irmãos fizeram as pazes, sendo que D. Afonso Sanches aceitou demolir as muralhas que tinham sido construídas.

 

Valença

 

Situada no extremo norte de Portugal, Valença faz fronteira com Espanha, junto ao Rio Minho. A história da cidade remonta até ao período romano, mas foi no reinado de D. Sancho I que surgiram as bases para a povoação atual.

Por essa altura, a zona foi entregue a Piao Carramundo, a quem tinha sido dada a missão de proteger, povoar e organizar Contrasta (nome original da terra). Uma Carta de Foral foi atribuída em 1217: a partir daí, a aldeia passou a vila. Julga-se que nesse período as muralhas já tinham sido construídas, sendo depois ampliadas a mando de D. Afonso III.

Já no século XV, sob o reinado de D. Afonso V, o nome foi mudado para o atual. De Contrasta (“a que fica à frente”) a vila passou a chamar-se Valença (“A Valente”).

 

Évora

 

A cidade de Évora é rica em marcos históricos: por lá estiveram os povos pré-históricos e é sabida a importância histórica no tempo do Templo de Diana. Já na idade médica, a cidade foi ocupada primeiro pelos visigóticos e depois pelos mouros. No domínio dos primeiros, era designada por Elbora ou Erbora; no dos segundos, chamou-se Yabura. Ambos os povos fizeram uso das muralhas romanas que lá existiam.

Foi durante a ocupação muçulmana que a cidade atingiu um novo auge. A importância política e económica chegou mesmo a ultrapassar a de Beja, considerada na altura como a maior urbe árabe. A riqueza levou à construção de castelos mouros e de uma mesquita, edificada no local da antiga acrópole. O crescimento foi tal que ultrapassou as muralhas para albergar povos com características muito diferentes.

A conquista cristã deu-se no ano de 1165 e nela destacou-se o lendário Geraldo Sem Pavor. O foral foi concedido por Afonso Henriques que lá mandou instalar a Ordem dos Freires de Évora – futura Ordem de Avis. No processo de defesa usaram-se as antigas estruturas deixadas pelos muçulmanos. Muito mais tarde, já entre os séculos XIII e XIV, foi construída a Sé Catedral de Évora.

 

Tomar

 

Tomar foi conquistada aos muçulmanos por D. Afonso Henriques. A terra ficou depois sob administração dda Ordem dos Templário, mais tarde responsável pala edificação do Castelo e do Convento de Tomar. As obras começaram no ano de 1160 e foram iniciadas por desígnio do Grão-Mestre Gualdim Pais.

Anos mais tarde, face a uma invasão do califa Yakub de Marrocos, Gualdim Pais liderou os monges cavaleiros num ataque que pretendia derrubar o cerco árabe. Desse episódio histórico, recorda-se a bravura que permitiu aos tomarenses suplantar a inferioridade numérica.

Hoje considerado como fundador da cidade Gualdim Pais está sepultado na Igreja de Santa Maria dos Olivais.

Com a extinção da Ordem dos Templários pelo próprio Vaticano, D. Dinis procurou contornar a situação pedindo que fosse criada a Ordem de Cristo. A ordem foi primeiro colocada no Algarve, mas depois regressou a Tomar, no ano de 1356.

 

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Comentário

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    07 September, 2017

    De Portugal só conheço Lisboa.. Ainda quero retornar e conhecer melhor. Obrigado por compartilhar este artigo, muito legal.

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    ROQUE TESTAI
    20 March, 2018

    Obrigdo pelas dicas, Gonçalo.
    Espero que realize em breve seu sonho aventureiro!
    Abraço
    Roque Testai

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